SCREENING DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DO EXTRATO DE ERAGROSTIS PLANA NEES FRENTE À CEPAS RESISTENTES.

  • Fabricio Silva
  • Emanoeli da Rosa
  • Ariane Pereira Carvalho
  • Cheila Denise Ottonelli Stopiglia
  • Luis Flávio Souza de Oliveira
  • Cleci Menezes Moreira
Rótulo Capim, annoni, Antimicrobianos, Resistência, bacteriana

Resumo

A descoberta de novos compostos ativos com efeitos farmacológicos que derivam do metabolismo secundário das plantas trouxe uma nova perspectiva para o tratamento de diversas patologias. Conhecida popularmente como capim annoni, a espécie vegetal Eragrostis plana Nees (Lovegrass), é uma gramínea originária da África do Sul e tornou-se um problema para o setor agropecuário, dada sua característica de predominância em relação a outros cultivos. Esse perfil alelopático da planta é atribuído ao metabolismo secundário de seus constituintes, dentre eles, os ácidos fenólicos, reconhecidos pelo seu potencial antioxidante e antimicrobiano. O uso indiscriminado de fármacos antimicrobianos contribui com o aumento progressivo da resistência bacteriana. Dentre os microrganismos com elevada resistência a antibióticos, estão as bactérias Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae (KPC) e Escherichia coli, sendo a S. aureus a espécie com menor sensibilidade às penicilinas (MRSA), devido a produção da enzima betalactamase (penicilinase), responsável por hidrolisar o anel betalactâmico das penicilinas, tornando esses fármacos ineficazes para o tratamento de infecções. Em razão disso, a resistência aos antibióticos torna-se um sério problema no ponto de vista clínico e de saúde pública. Com o objetivo de avaliar a atividade antibacteriana do extrato metanólico (75%), liofilizado de E. plana Nees, foi realizado um screenning microbiológico, através do ensaio de microdiluição em placa. O extrato foi testado na faixa de concentração de 500 a 0,97 μg/mL, frente a Staphylococcus aureus MRSA, Klebsiella pneumoniae (KPC) e Escherichia coli. A placa com 96 poços contendo o extrato, o inóculo em meio Muller Hinton foi incubada durante 24h em estufa a 37° C, e então corada com solução etanólica de cloreto de 2,3,5-trifenil-tetrazolio (CTT) a 0,5%, onde células viáveis adquirem coloração avermelhada quando em contato. A concentração inibitória mínima (CIM) de E. plana para esses microrganismos foram, respectivamente, 62,5; 250 e 125 μg/mL, ou seja, o S. aureus apresentou maior sensibilidade frente a uma pequena concentração do extrato de E. plana. Dados da literatura mostram que o extrato de Syzygium cuminii L. inibiu 57,1% das bactérias testadas, muitas delas resistentes, com CIM variando entre 50 a 400 μg/mL. A planta Tabebuia avellanedae também mostrou efeito inibitório sobre bactérias S. aureus resistente a oxacilina. Ainda não há dados na literatura sobre o extrato da E. plana frente a bactérias resistentes como as utilizadas neste estudo, o que torna esses resultados extremamente relevantes do ponto vista microbiológico e clínico. Esse importante resultado possibilita a investigação frente a outros isolados e também estudos que visem elucidar o potencial antifúngico da planta.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
SILVA, F.; DA ROSA, E.; PEREIRA CARVALHO, A.; DENISE OTTONELLI STOPIGLIA, C.; FLÁVIO SOUZA DE OLIVEIRA, L.; MENEZES MOREIRA, C. SCREENING DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DO EXTRATO DE ERAGROSTIS PLANA NEES FRENTE À CEPAS RESISTENTES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.