PUNÇÃO ABDOMINAL: UMA NOVA TÉCNICA PARA A SEXAGEM DE TUVIRAS (GYMNOTUS SP.)

  • Nicolas da Silva
  • Marco Antonio Thomaz
  • Carlos Frederico Ceccon Lanes
  • Antonio Cleber da Silva Camargo
Rótulo Dimorfismo, 1, Reprodução, 2, Isca, viva, 3, Piscicultura, 4

Resumo

A tuvira é um peixe da classe dos Actinopterígios de água doce e pertence à ordem dos Gymnotiformes, família dos Gymnotidae. Encontram-se distribuídas desde o sul da Argentina até o limite norte do México. Devido ao crescente uso dessa espécie como isca viva na pesca esportiva, o interesse no estabelecimento da sua criação em cativeiro tem aumentado. No entanto, um dos principais entraves no estabelecimento da sua criação é a sexagem dos animais, já que os mesmos não apresentam dimorfismo sexual evidente, não permitindo o estabelecimento de um protocolo de reprodução artificial. Assim, o objetivo do presente trabalho foi avaliar se a punção abdominal poderia ser utilizada como uma técnica barata, rápida e confiável para a determinação do sexo em tuviras. Primeiramente, 5 indivíduos foram dissecados para estabelecer a localização exata das gônadas. Com base nessas informações, a punção abdominal foi realizada 6 cm distante da ponta da cabeça do animal e cerca de 1 cm abaixo da linha lateral com um dispositivo de infusão intravenosa escalpe (número 19G) conectado a uma seringa de 5 mL. A agulha foi introduzida formando um ângulo entre 40 e 45º em relação ao corpo da tuvira. Pressões negativas na seringa foram realizadas para coletar amostras de tecido gonadal para confirmação do sexo do animal. A punção abdominal foi realizada em 24 animais adultos que apresentaram o tamanho maior do que 20 cm, previamente anestesiados com eugenol (80 mg/L). Após o procedimento, os animais foram separados em dois grupos de acordo com a sexagem: animais que tiveram ovócitos coletados (fêmeas) e animais em que foram coletados sêmen ou nenhum fragmento das gônadas (machos). Para avaliar se o procedimento da punção abdominal não causou nenhum problema aos animais, a sobrevivência das tuviras foi monitorada durante 96 horas. Para isso, as tuviras foram observadas a cada 24 horas, sempre ao final da tarde, momento em que também eram alimentadas com filé de peixe. Após esse período, os animais foram retirados dos tanques rede e colocados separados em dois baldes com água e transportados ao laboratório. Os animais foram eutanasiados individualmente com overdose de eugenol. Posteriormente, os animais foram medidos, pesados e dissecados para a confirmação do sexo. Com a cavidade celomática exposta, foi observado se havia a presença de ovários no caso das fêmeas, ou testículos no caso dos machos. Através da dissecação verificou-se que dos 24 animais avaliados, 22 indivíduos foram sexados corretamente através da punção abdominal, sendo o grau de acerto de 91,66%. A taxa de sobrevivência dos animais após 96 horas a realização da punção abdominal foi de 100%. Esses resultados indicam que a punção abdominal é uma técnica fácil, simples, barata e pode ser realizada em tuviras de uma maneira confiável.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2020-03-30
Como Citar
DA SILVA, N.; ANTONIO THOMAZ, M.; FREDERICO CECCON LANES, C.; CLEBER DA SILVA CAMARGO, A. PUNÇÃO ABDOMINAL: UMA NOVA TÉCNICA PARA A SEXAGEM DE TUVIRAS (GYMNOTUS SP.). Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.