INCIDÊNCIA DE TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA NO RIO GRANDE DO SUL NO PERÍODO 2014-2018

  • Milene dos Santos
  • Jordani Borges Cardoso
  • Andressa Stein Maffi
  • Bruna Muradás Esperon
  • Cassio Cassal Brauner
  • Antônio Amaral Barbosa
Rótulo prevenção, bovinocultura, leiteira, parasitas

Resumo

O conhecimento sobre a incidência de doenças que acometem bovinos leiteiros de uma região possibilita a identificação de pontos críticos e da adoção de estratégias preventivas para manutenção da lucratividade e produtividade do sistema. Com isso, o objetivo desse estudo foi realizar um levantamento da ocorrência de enfermidades diagnosticadas no estado do Rio Grande do Sul entre os anos de 2014-2018. Para isso, foram coletados dados retrospectivos de atendimentos clínicos realizados por Médicos Veterinários e acompanhados por alunos de Medicina Veterinária da UFPel durante estágios curriculares supervisionados na área de clínica médica de bovinos leiteiros. As enfermidades foram quantificadas anualmente e separadas por sistemas, totalizando 3816 casos clínicos atendidos na área, descritos por 25 alunos. Para determinar a casuística, as informações foram coletadas e adicionadas ao programa de planilhas eletrônicas Microsoft Excel®. Dentre o total de doenças encontradas, a enfermidade de maior prevalência foi a tristeza parasitária bovina (TPB), correspondendo a 20,20% do total de enfermidade e 96,3% daquelas agrupadas por causa parasitária. A TPB compreende duas enfermidades: a babesiose causada pelos protozoários Babesia bovis e Babesia bigemina e a anaplasmose causada pela rickettsia Anaplasma marginale, transmitidas principalmente por carrapatos da espécie Rhipicephalus microplus. Essas são responsáveis por graves perdas econômicas devido às altas taxas de morbidade e mortalidade em áreas instáveis, interferindo no desenvolvimento dos ruminantes, reduzindo a produção de carne e leite, além de gerar infertilidade temporária e custos com tratamentos. Estudos demonstram que essa maior prevalência se deve ao fato do Rio Grande do Sul ser uma área de instabilidade enzoótica, possuindo invernos rigorosos, com baixas temperaturas e geadas frequentes, levando a morte da maioria das larvas de carrapato, reduzindo a infestação do gado; e verões secos e quentes que dificultam o desenvolvimento dos agentes. Com isso, bezerros nascidos nesta região não são expostos ao vetor ou aos agentes da TPB, resultando em animais sem imunidade devida frente a um surto da doença. Além disso, o uso indiscriminado de acaricidas para controle químico de carrapato nas últimas décadas, contribuiu para a seleção de cepas resistentes a maioria dos compostos químicos encontrados comercialmente dificultando o manejo dos vetores e aumentando a incidência de TPB em regiões com grandes infestações. Sendo assim, a prevalência da doença no estado pode ter como causa tanto a ausência de exposição aos parasitas, principalmente bezerros que não desenvolvem uma resposta imune, quanto pela alta infestação devido a erros de manejo e de estratégias preventivas. Com isso, observa-se que o Rio Grande do Sul possui uma alta incidência de TPB e que, é necessário o desenvolvimento de novas estratégias de controle da doença .

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
DOS SANTOS, M.; BORGES CARDOSO, J.; STEIN MAFFI, A.; MURADÁS ESPERON, B.; CASSAL BRAUNER, C.; AMARAL BARBOSA, A. INCIDÊNCIA DE TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA NO RIO GRANDE DO SUL NO PERÍODO 2014-2018. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 11, n. 2, 30 mar. 2020.