Dossiê sobre o poeta afro-gaúcho Oliveira Silveira (1941-2009): sua vida, sua obra e o Dia da Consciência Negra no Brasil – dos primórdios aos dias atuais. O objetivo é ampliar as reflexões sobre as contribuições do escritor Oliveira Silveira para a história da Literatura Sul-Rio-Grandense, como também, para a história do Vinte de Novembro, que visibilizou “o reconhecimento do racismo como um aspecto estruturante da sociedade brasileira” tornando-se “uma conquista que é ainda mais notável porque ocorreu em meio a celebrações oficiais”, conforme reforça Paul Gilroy no prefácio da edição brasileira de seu livro O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência.

 

SUBMISSÕES DE TEXTOS: ATÉ 31/01/2021

PRAZO PARA AVALIAÇÃO: 31/04/2021

PUBLICAÇÃO: JUNHO/2021

ORGANIZADORES
Dra. Sátira Pereira Machado - UNIPAMPA
Dr. Deivison Moacir Cezar de Campos - UNISINOS

Oliveira Silveira (1941-2009) nasceu na região da cidade de Rosário do Sul, localizada no bioma pampa do estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, na América Latina. Em Porto Alegre, graduou-se professor de Português-Francês e suas respectivas literaturas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1965. Depois de publicar seus primeiros livros, reuniu algumas poesias para participar do concurso literário da União Brasileira de Escritores, em 1969. Na coletânea estava o poema Treze de Maio, com versos como: “Treze de maio traição/liberdade sem asas/e fome sem pão”. No concurso recebeu a Menção Honrosa, publicando o livro Banzo, saudade negra, em 1970, com as poesias premiadas. Depois disso, vários debates entre negros e negras porto-alegrenses culminaram com o primeiro ato evocativo ao 20 de novembro, em 1971, como forma de valorizar a experiência do Quilombo dos Palmares como símbolo da resistência negra no país, que tinha Zumbi como um de seus líderes martirizado. Esse primeiro ato foi celebrado pelo grupo que adotou o nome desse quilombo - Grupo Palmares - dirigido por Oliveira Silveira e por Helena Vitória Machado, entre 1971 e 1978. Como a posterior repercussão nacional, em 2011, o 20 de novembro foi instituído Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, pela de 12.519, para além de já constar no calendário escolar, por meio da Lei Federal nº 10.639/2003.

Mas o legado de Oliveira Silveira extrapola a poesia e o 20 de novembro. Estende-se para diferentes áreas culturais, acadêmicas e políticas surgidas e criadas em seu entorno - ou com sua participação - mantendo a estratégia coletiva, proposta pelo Grupo Palmares. Nesse sentido, serão aceitas reflexões na forma de artigos com a temática sobre a vida, a obra, as ações de Oliveira Silveira, bem como, sobre os desdobramentos do 20 de novembro (Dia da Consciência Negra). Assim, espera-se divulgar produções cientificas - submetidas ou a convite - motivadoras de debates com foco na promoção da equidades sociais, culturais e étnico-raciais no Brasil.